terça-feira, 3 de julho de 2012

SAÚDE: Virou-se feitiço contra feiticeiro

Costuma o povo dizer, que quando desce a maré, vê-se-lhe o rabo. Isto é, a falta de recursos no país obrigou à otimização de recursos e permite concluir o que é dispensável ou roça o mau serviço publico.

Na saúde, quis Deus e bem, que tivéssemos o atual  ministro Paulo Macedo, um homem que já tinha feito um excelente trabalho nos impostos a pedido de Ferreira Leite. O processo de informatização das receitas permitiu assinalar os médicos que prescreviam anormalmete e detetar falcatruas de centenas de milhares de euros.

Mas o que sublinho, é o fato de durante anos o lobby  da ordem e dos sindicatos ter dificultado a abertura de cursos de medicina e facilitado a falta de controlo sobre a profissão, o que contribuiu para o desprestigio do SNS, talvez com algum interesse em promover o serviço privado - se esperavam que os portugueses tivessem dinheiro para pagar a medicina privada, enganaram-se. Hoje, como noutras carreiras publicas, também os médicos são desprestigiados, mas neste caso também para isso contribuíram. Ora o que acontece, é que o SNS não comporta pagar 100 000 euros de horas extraordinárias anuais a turbo-médicos, porque não há profissionais suficientes; actualmente o ministério da saúde opta por contratar serviços médicos a empresas para suprir as necessidades do sistema, baixando custos. Diga-se que neste caso também o estado durante anos se acomodou não querendo comprar uma guerra com uma corporação.

Se os médicos também contribuíram para a situação, é caso para dizer que se virou o feitiço contra o feiticeiro. Hoje as carreira estão desvalorizadas e aumentou a contratação "à jorna".

Outra gangrena do sistema são os meios de diagnostico e os medicamentos. Utilizar os meios de diagnostico do próprio SNS em vez dos convencionados é uma prioridade acertada, mas claro, os privados não querem. Mas vejamos, se vou a um hospital publico, porque não fazer lá os exames de diagnostico em vez de ir a um privado só porque o médico entende? terá algum interesse especial nisso?

O grau de penetração dos genéricos era no tempo de Sócrates medíocre, inferior a 5%, em parte porque a receita não era pelo principio activo. Isso foi alterado, tal como o regime das comparticipações, o que faz com que os genéricos caminhem para uma taxa de penetração de 20%, poupando milhões ao SNS.


Se todos os ministérios trabalhassem assim, isto resolvia-se mais depressa.

0 comentários:

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP