sábado, 18 de novembro de 2017

OS PROFESSORES, por José Luís Peixoto

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.
Artigo de José Luís Peixoto, publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

E que venham mais quatro anos de trabalho

As autárquicas já la vão, sendo possível aferir meia dúzia de ideias.

 O PS ganhou as eleições, estando no governo, o que nem sempre é facil, mas os ventos corriam de feição. O PSD perdeu menos do que se diz, sendo que foi incomodo a perda de cidades como Lisboa e Porto e mais ainda como esses pocessos foram geridos.

A CDU teve derrotas importantes no alentejo e margem sul, territórios historicamente vermelhos, entre outras causas talvez o abraço de urso na geringonça.

Os outros, sem tradição ou estrutura autárquica, do pouco que conseguiram, muita festa fizeram, sem querer tirar o mérito de Assunção em Lisboa também ajudada pela falta de comparência de outros.

Por cá, à revelia da tendência nacional o PSD foi apadrinhado nas urnas. Nas freguesias foi esmagador. Na câmara obtém 7 mandatos, encostando o principal adversário ao limiar mínimo de sobrevivência e eliminando o resto. A explicação tem muito que ver com suor e pouco com politiquice, teorias e conspirações.

E que venham mais quatro anos de trabalho, para continuar a desenvolver a Póvoa.

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domingo, 1 de outubro de 2017

Resultados CM - fechados


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RESULTADOS DE ARGIVAI PARA A ASSEMBLEIA DE FREGUESIA


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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

PORQUE O MEU PARTIDO É A POVOA

No domingo vou votar. E vou eu e a família direta e alargada. Porque nesta família se ensinou o que custou chegar ao voto universal, a base da democracia, da qual estivemos privados por mais de cinquenta anos. E por isso nós vamos ser parte da decisão.

Nestas eleições o meu partido não tem cor. O meu partido são aqueles candidatos que maior garantia me dão para o desenvolvimento da terra. Gente que provou que é capaz de fazer, com erros com certeza, mas poucos, e só não erra quem nunca fez nada.

Domingo, o nosso voto vai para o movimento TODOS SOMOS POVEIROS, apoiado pelo PSD, porque reuniu os melhores para continuar a labuta por um concelho melhor. Gente insatisfeita, que quer sempre mais e melhor.

CÂMARA - PSD Aires Pereira
ASSEMBLEIA MUNICIPAL - PSD Afonso Pinhão Ferreira
ASSEMBLEIAS DE FREGUESIA - PSD ( ARGIVAI com Ricardo Silva e Agusto Moreira)

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